terça-feira, abril 15, 2014

PIEDADE



De onde o homem tirou que certos animais devem morrer apenas por existir, como as cobras e os tubarões? Os tubarões são tão lindos e nadam tão bonito como quase nenhum outro peixe ou mamífero do mar. E quando atacam os humanos é porque os humanos foram invadir a sua casa. Porque os humanos, para construir casas maiores ou para ficar mais ricos e até porque não estão nem aí para a natureza, poluem e acabam com os lares deles, dos seres que habitam as águas em paz. Meu coração fica partido em pedaços impossíveis de colar quando vejo um tubarão sendo morto, ou tendo suas barbatanas cortadas para depois ser atirado ao mar e lá morrer sem poder nadar... É por isso que, mesmo sendo criança, já sei que jamais terei nas mãos uma vara de pescar, muito menos irei em aquários para ver aqueles seres tão lindos e tão tristes, porque foram arrancados de suas casas só para trazer mais dinheiro aos homens... O dinheiro deixa as pessoas pobres e os animais infelizes. Não quero mais mesada. Vou hoje mesmo falar isso para minha mãe e meu pai.

texto: Rogerio Rothje. imagem: extraída de link abaixo.

Link com as imagens e a matéria, em inglês: https://www.facebook.com/BruceTheRib/posts/281849391974435

segunda-feira, abril 14, 2014

APENAS MAIS UMA REFLEXÃO PESSOAL


A questão toda é o respeito e a tolerância às opções de vida que as pessoas têm e que são diferentes das suas – ou das nossas, caso seja você um vegan também. O mundo inteiro vive como manda a Lei geral do universo, que é a Lei do progresso, da evolução; e mesmo que não tenhamos ainda condições de compreender quais Leis são essas, saiba que está tudo caminhando para frente neste planeta. Tecnologicamente somos mais avançados hoje do que há poucos anos e moralmente seguimos pelo mesmo caminho – ainda que a mídia, por suas próprias razões, tente fazer-nos pensar o contrário. Quando me refiro a “moral”, penso em todas as qualificações capazes de tornar o homem um ser integralmente melhor; e um ser melhor, obviamente, respeita todas as formas de vida, incluindo as que não são idênticas às suas. Um ser humano melhor não deseja ao outro o que não quer para si e pratica isto em sua vida, dedicando aos outros seu tempo e habilidades com o intuito de ajudar, sem para isso ser reconhecido financeiramente. Um ser humano melhor aceita as limitações dos outros, sabendo que, se não as possui, certamente há em seu caráter outros aspectos a lapidar. Pensamos nisto, meus amigos, antes de criticar aqueles que pensam diferente.


texto: Rogerio Rothje /// www.facebook.com/cronicato

segunda-feira, março 31, 2014

A vida das abelhas não teria nada de amarga se o ser humano parasse de roubar o mel delas.

NOTA VERMELHA

Eu acho que as pessoas poderiam falar menos das coisas que elas não gostam para fazer mais pelo bem delas mesmas e dos outros. Foi isso que eu quis dizer na minha redação e que a professora não entendeu, e por isso me deu 4. Meu pai reclama todo o dia do trânsito, do mau humor do chefe dele e da presidente da república, mas parou de jogar bola e está indo muito menos vezes visitar a minha vó, que está doente. Minha mãe assiste novela e chora por causa da maldade dos personagens, mas diz que é a cebola que está forte. Ela tem pena do cavalo puxando carroça, mas serve bife no almoço sem remorso nenhum. E no fim de semana vamos todos ao zoológico ficar com pena dos animais enquanto comemos churros de doce de leite. O tema da redação era “o que quero ser quando crescer”. Eu sou pequeno para entender um monte de coisas e acho que as coisas que entendo talvez não saiba explicar direito. Por que a gente deixa de ser criança quando cresce, afinal?

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

SMART RAT EM: MISSÃO TOFU.


Questão de vida ou morte. Um erro e minha vida seria ceifada naquele momento. Corri mais do que pude. Enfrentei obstáculos. Testei minha velocidade de raciocínio. Minha frieza. Fiz cálculos em átimos considerando minha velocidade, meu peso, tipo de piso – que mudou por várias vezes – entre tantas outras variáveis que ocorreram sem que eu pudesse prever. Sentia sua respiração no meu cangote e o vento assobiando a cada patada desferida no ar com a intenção de me rasgar no meio. Por vezes, desaparecia. E ressurgia à frente num salto frenético capaz de colocar à prova todas as minhas habilidades e reputação. Na minha mente havia apenas aquele buraco. O pequeno vão onde trabalhei semanas prevendo este momento; ele deveria ser pequeno o suficiente para me manter protegido e grande o bastante para que eu pudesse entrar rastejando – ou deslizando, como seria o caso. Atravessei cômodos. Superei toda sorte de obstáculos: pernas de cadeiras, tapetes fofos, quinas de móveis e objetos que iam caindo enquanto ele, enfurecido, partia para o ataque derrubando tudo o que via pela frente. Imagine. Fiz um gato perder a estribeira a ponto de esquecer a fama de perito em escalada; o ninja dos animais domésticos. Era minha vida que estava em jogo. A essa altura, a pequena entrada já se tornara visível. Uma reta de poucos metros me separava da liberdade. E o melhor: com aquele tolete de tofu defumado entre os dentes. Iguaria cujo inebriante perfume me fez sonhar repetido noites e mais noites. Era eu, minha conquista, minha vida e a moral do gato reduzida a zero em uma só investida. Foi então que ele deu sua cartada final. Enquanto corria, bateu com a pata dianteira em um vaso de porcelana objetivando lançar o projétil contra a parede; com o impacto, a peça seria feita em pedaços e seus cacos impediriam a minha entrada, frustrando minha missão e, óbvio, acabando com a minha vida. Só que eu sou um rato. E um rato que jamais se entrega. Ao notar que o objeto ia mesmo cumprir seu destino, lancei o tofu primeiro. Foi tudo em slow-motion. O tofu bateu na parede. O vaso bateu no tofu, o que amorteceu o golpe. O vaso foi rebatido para trás. Eu peguei o tofu antes que caísse no chão e entrei no buraco deslizando... O vaso caiu no chão, espatifando-se. O gato... Bom, o bichano está com as duas patas anteriores enfaixadas e bem doloridas, após pisar nos cacos que eu deixei pra ele.

texto: rogerio rothje /// imagem: divulgação. trilha sonora: http://www.youtube.com/watch?v=4un7Jedpicg

sexta-feira, janeiro 10, 2014

PARABÉNS PRA MIM


Em 2014, o Cronicato completa 10 anos. Foi em 2004, incentivado por alguns amigos especiais como o Marcello Delova e o Sérgio Peres, de Campinas, entre outros, que eu resolvi entrar no #blogger e criar minha página pessoal. De início, eram textos sobre o cotidiano – crônicas mesmo; daí o nome do blog “Cronicato”, o meu “ato de cronicar”. Depois de algum tempo foi que eu passei a adotar os animais como a grande inspiração pra escrever. Entre tantos agradecimentos que eu gostaria de prestar, o primeiro vai pra mim mesmo e a minha perseverança – afinal, poucas coisas, mas pouquíssimas mesmo, eu comecei e segui sem desistir no meio do caminho. Agradeço a cada pessoa que leu e deixou comentário no blog, ou me escreveu dizendo que aquilo era pra ela, ou que leu pro filho à noite, antes de dormir. Porque, uma vez escrito, o texto é do mundo – que fala português -, é de quem se interessar em ler; e nestes 10 anos, acredito que muita gente tenha parado por alguns minutos o que estava fazendo para se dar ao trabalho de ler o Cronicato do dia. Agradeço aos meus apoiadores (morais, porque nunca fui remunerado com este trabalho), sejam eles amigos ou veículos, como o jornal Correio Popular e o portal Cosmo, ambos da Rede Anhanguera de Comunicação, sites como o Somos Todos Um, ONGs como a ALPA – Associação Limeirense de Proteção aos Animais -, o site Vista-se, do meu grande parceiro e amigo Fábio Chaves, e a ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais – comandada pela grandiosa Silvana Andrade, que deu ao Cronicato a oportunidade de falar em nome dos animais pra muita, mas muita gente mesmo. Obrigado aos amigos que cederam ilustrações pros meus textos ou que fizeram desenhos exclusivos pro blog, como meu brother Flávio Alexandrino, a Maisa Shigematsu, entre outros. O Cronicato pode não ter virado livro ou se transformado em uma fonte de renda, mas foi importante pra que eu mesmo entendesse a relação entre humanos e animais, me tornasse vegetariano e vegano em seguida. Sei (ou acho que sei) sua parcela de significado na vida de pessoas que amam e respeitam os animais ou que, simplesmente, encontraram no Cronicato algum tipo de leitura edificante. Por tudo isso eu só tenho que agradecer. Afinal, o primeiro a ler cada texto que eu escrevi, sempre fui eu. Eu mesmo, o maior beneficiado. 

texto: rogerio rothje /// artes comemorativas dos 10 anos do cronicato: fábio chaves.